Monday, November 21, 2005

Decisões finalmente chegaram

Não sei como dizer isso mas decidi ir. É isso mesmo que você leu: eu vou, sim!!! Digo isso em alto e bom som. Embora eu sofra constantes retaliações e falta de apoio aqui em casa, a cada dia que passa, a viagem se mostra mais inevitável e vou me preparando psicologicamente para deixar esse país nojento, com essas pessoas ignóbeis e vou para um lugar da redenção, o meu "rito de passagem".

Espero que seja uma experiência como eu nunca vivi, que eu me descubra lá como pessoa e repense no meu papel neste mundo ao qual eu tanto ojerizo e creio não fazer parte.

Outra coisa que eu almejo profundamente com esta viagem é a minha independência. Vou saber, pela primeira vez na minha vida, como é viver sozinha, me sustentar, pagar minhas contas e construir uma vida isenta de família. Será uma prévia do meu futuro, onde eu tentarei colocar em prática meus acertos e consertar meus erros.

ah tô de saco cheio



Thursday, November 03, 2005

E vamos que vamos, não é mesmo?

Acabei de ler "Irmãos Karamazov". Agora assim posso admitir que os russos são meu "carma literário". E por que será? Gostaria de entender por que razão consegui ler 740 páginas de um escritor russo, cuja escrita é dificilíma, mas que não me impediu de ficar aficionada pela sua obra.

Descobri que adoro os russos. Dostoiévski tem a capacidade de revelar os sentimentos mais maquiavélicos da mente humana sem, no entanto, tornar isso algo ruim ou desprezível. A indentificação, da minha parte, foi imediata. Às vezes, me sinto como uma pessoa horrososa mas, lendo-o, vejo que isso faz parte, é algo patológico. E que não deve ser tão repudiado assim. As atitudes de Lise e Catierina Ivânovna me deixam mais feliz, pois me ajuda a me aceitar assim como sou e não ficar lamentanto por mim mesma a cada atitude que tenho. Depois de "Karamazov Bros" posso me aceitar melhor.

O autor tem a capacidade de dissecar as ações humanas e não criticá-las por isso ( Aliócha é o alter-ego do autor neste quesito), ou até as torna mais 'aceitáveis', compreensíveis. E tudo o que eu preciso neste momento é de compreensão. Por isso, li desenfreadamente o livro. Pude me aceitar melhor e, ao mesmo tempo, me compreender mais depois de lê-lo.

Pra mim, ele foi o grande psicólogo da humanidade (Nota Bena: Freud que nada!). Sua literatura me inspira, me enobrece. Por isso, ele já é um dos meus autores preferidos. E o que mais me compreende.

O paralelo encontrado por mim com "Crônica de uma morte anunciada" serviu para alavancar a minha leitura, além de aguçar minha curiosidade acerca das semelhanças encontradas. Devo declarar aqui que, caso eu não consiga ter nenhuma idéia quanto a minha monografia, achei um embrião que poderá ser desenvolvido ( aliás, ler "karamazov bros" novamente não seria nada mal!)

Outra coisa que me chamou muito a atenção, senão a maior, foi Aliócha. Tinha sede de curiosidade, queria devorá-lo. Ele está, sem dúvida nenhuma, dentre os meus personagens literários preferidos junto com Úrsula Buendía, Ceição, a mulher do médico ( minhas heroínas!). Até então nenhum personagem masculino havia me encantado tanto ( talvez pela minha proteção e indentificação com os personagens femininos). Aliócha é bom, generoso, compassivo, condescendente, amável, otimista, perseverante, tem o que nós perdemos hoje em dia que é o amor incondicional ao próximo, independente do que ele seja ( raça, classe social, religião, etc), além de uma inocência singular na história da literatura.